5 Mamíferos e aves
Arlindo Gomes Filho1, Elildo Alves Ribeiro de Carvalho Junior2, Gerson Buss3, Marcelo Lima Reis4, Marcos de Sousa Fialho1, Rafael Suertegaray Rossato3, Ricardo Sampaio3, Richard Hatakeyama5, Thiago Orsi Laranjeiras6
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres – CEMAVE
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
BR-230 Km 10
Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
58108-012 Cabedelo, PBCentro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros – CENAP
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Estrada Municipal Hisaichi Takebayashi, 8600 - Bairro da Usina 12952-011 Atibaia, SPCentro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros – CPB
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
BR-230 Km 10
Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
58108-012 Cabedelo, PBCoordenação de Monitoramento da Biodiversidade - COMOB
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Complexo Administrativo EQSW 103/104 s/n
70670-350 Brasília, DFNúcleo de Gestão Integrada - NGI ICMBio Tefé
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Estr. do Aeroporto, 725 - Centro
69550-101 Tefé, AMParque Nacional do Viruá
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
69360-000 Caracaraí, RR
Mamíferos e aves florestais de médio e grande porte são animais que sofrem muita pressão com a caça e, portanto, são considerados indicadores de impactos de origem antrópica. A defaunação das florestas acarreta a chamada “síndrome da floresta vazia” ([1]). A redução das populações animais além de ser uma diminuição direta da biodiversidade, também acomete a própria estrutura e manutenção das florestas, ao perder polinizadores, dispersores de sementes e outros processos ecológicos importantes. Daí a necessidade de realizar o monitoramento desses dois grupos no âmbito do Programa Monitora.
A taxonomia utilizada para os mamíferos e aves foi a mesma adotada no processo de avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira ([2]).
5.1 Estado da implementação
Para o período de 2014 a 2022 foram registradas 52 UCs federais e 138 UAs (transecções lineares) em operação, isto é, com amostragens dos alvos mamíferos e aves com o método do protocolo básico (censo diurno em transecção linear), nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.
Destas 52 UCs federais com coleta de dados de mamíferos e aves, 34 (67%) já estão consolidadas, isto é, possuem pelo menos três unidades amostrais (transecções lineares) em operação. Seis UCs retomaram as amostragens em 2022, sete UCs são consideradas como paradas ou interrompidas (mais de dois anos consecutivos sem amostragem) e duas UCs não fizeram amostragens de 2022 (Figura 5.3).
O esforço de amostragem nos nove anos considerados neste relatório correspondeu a 5.356 dias de campo (transecção/dia) e 25.602,55 km percorridos (Figura 5.1), resultando em 22.985 registros de mamíferos de médio e grande porte e de 12.995 aves terrestres cinegéticas (Figura 5.2). No total, foram identificados ?? táxons de Mamíferos e 38 de Aves entre gêneros e espécies (Apêndice C), ?? e 6 dos quais estão ameaçados de extinção, respectivamente. O esforço por UC, ordenadas por bioma (Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia), é apresentado na Figura 5.3.
5.2 Resultados
5.2.1 Visão geral
A grande maioria dos registros de mamíferos (??%) corresponde a primatas e roedores (Figura 5.4). Esse resultado se deve, em parte, ao fato de a detecção do método ser mais eficiente para o registro desses grupos. Espécies noturnas e esquivas, como a maioria dos carnívoros, são dificilmente registradas.
Em relação aos mamíferos, primatas foram o grupo preponderante. As cinco famílias foram registradas e apenas o gênero Callibella sp. não foi observado. Setenta espécies diferentes foram registradas, o que corresponde a 84,7% do total de primatas brasileiros. Destas, 18 espécies são consideradas ameaçadas de extinção e duas possuem deficiência de dados (DD) para avaliação.
Com relação as aves, até o momento, 38 táxons, entre gêneros e espécies, foram registrados (Apêndice D). Durante as amostragens busca-se a identificação no nível específico dos indivíduos observados, contudo, em algumas unidades ocorrem em simpatria duas, três ou mais espécies de um mesmo gênero, e, na maioria das vezes, essas espécies são semelhantes entre si. Isso faz com que, por segurança, a validação desses registros seja realizada no nível de gênero. São situações que podem ocorrer com os gêneros Nothura (codornas), Penelope (jacus), Tinamus (macucos) e Crypturellus (inhambus), todos estes gêneros com um ou mais táxons ameaçados de extinção (Apêndice D), conforme a Portaria MMA nº 148/22.
A grande maioria dos registros de Aves está quase igualmente distribuída entre Galliformes e Tinamídeos. Esse resultado se deve ao fato de a detecção do método ser eficiente para o registro desses grupos, mas também por Gruiformes (jacamins) ocorrerem apenas no bioma Amazônico, e nunca com mais de uma espécie por localidade, enquanto que Cariamiformes são típicos de ambientes abertos (fig-registros-ordem).
A variação entre as proporções de registros registadas para o Cerrado e a Mata Atlântica ao longo dos nove anos de amostragem deve-se ao pequeno número de unidades de conservação aderidas ao Programa Monitora, a inconstância nas amostragens e ao pequeno esforço amostral, seja por unidade de conservação, seja por bioma (Figura 5.4).
5.2.2 Abundância relativa de mamíferos e aves por biomas
Em termos de abundância total de mamíferos e aves, o bioma Amazônico se destaca em relação aos outros dois biomas tratados. Enquanto que Cerrado e Mata Atlântica não parecem divergir de forma relevante (Figura 5.5). O valor médio da abundância relativa de mamíferos e aves no bioma Amazônia variou de ?? em 20?? a ?? avistamentos por 10 km percorridos em 20??, para mamíferos e ?? em 20?? a ?? em 20?? para aves.
O valor médio da abundância relativa de mamíferos e aves no bioma Amazônia variou de ?? em 20?? a ?? avistamentos por 10 km em 20??, para mamíferos e de ?? em 20?? a ?? avistamentos por 10 km em 20??, para aves. Quando se observa como essa abundância total de mamíferos e aves variou entre os anos para os biomas (Figura 5.6), verificamos que para a Amazônia os primeiros anos apresentam uma maior dispersão dos resultados obtidos explicada pelo proporcionalmente reduzido de UCs participantes e esforço amostral, e um leve decréscimo nas abundâncias totais entre 2021 e 2022. Para a Mata Atlântica os resultados não são consistentes devido a descontinuidade de amostragem e variação no esforço entre os anos, já para o Cerrado, o padrão observado se justifica…xxxxxxxxx
5.2.3 Taxa de encontro de mamíferos e aves ao longo do tempo - geral e por bioma - 2014 a 2022
5.2.4 Abundância de mamíferos e aves nas unidades de conservação
Entre as UCs com maiores taxas totais para mamíferos encontramos a Rebio do Uatumã, a Resex Verde para Sempre e a Esec da Terra do Meio (Figura 5.7), estas três UCs também estão entre as quatro UCs com maiores taxas totais para aves (Figura 5.8). Contudo, a posição da Resex Verde para Sempre deve ser tomada com cautela visto que representa um único ano de amostragem (2022). Uma visão espacial da taxa de avistamento média geral, considerando conjuntamente aves e mamíferos, é apresentada na figura Figura 5.9.